Paróquia de São Sebastião

Igreja São José

A Paróquia de São Sebastião, situada no Barro Preto, região central de Belo Horizonte, é’ uma das primeiras comunidades da cidade da capital mineira. Em 22 de dezembro de 1913 o então Arcebispo de Mariana, Dom Silvério Gomes Pimenta, cria, através de uma “Portaria” o Curato de São Sebastião do Barro Preto de Belo Horizonte, incluindo também o Calafate.

A história dessa Paróquia começou há muito tempo atrás, em 1932, quando Dom Antônio dos Santos Cabral era arcebispo de Belo Horizonte. Naquela época o bairro ainda não existia, só havia matas e sítios com muitas plantações. Este lugar era conhecido como Várzea do Felicíssimo e pertencia à Paróquia São José do Calafate. Morava aqui a família do “seu” João Alves do Vale. Este senhor, vicentino e muito católico, resolveu doar para a Igreja o terreno onde foi construída a antiga “Capelinha”, muitos ainda se lembram dela, que recebeu o nome de São Sebastião. Esta capela depois de muito tempo, em 1956, passou a fazer parte da Paróquia do Salgado Filho, quando teve suas atividades religiosas mais organizadas. Na capelinha acontecia missa todo mês e as festas de São Sebastião e Santo Antônio, dos quais a família do seu João Alves era devota.

é uma oportunidade para conhecer o esplendor da Igreja Católica, bem como a sua profunda história e riqueza artística.

“O caminho da beleza responde ao íntimo desejo de felicidade que reside no coração de cada pessoa. Abrindo horizontes infinitos, leva a pessoa humana a empurrar para fora de si mesmo, desde a rotina do efêmero instante, até o Transcendente e Mistério, e procura, como objetivo final da busca pelo bem-estar e nostalgia total, essa beleza original que é o próprio Deus, criador de toda a beleza

É preciso um altíssimo grau de cegueira voluntária para negar que, neste mundo, existem coisas bonitas e coisas feias – incluindo pessoas. Ora, não estamos aqui falando do caráter e nem da dignidade de ninguém. Uma pessoa muito boa pode ser muito feia, e todos sabemos que isso acontece muito, talvez até porque as pessoas desprovidas de beleza estética estejam livres de certas tentações, como por exemplo a da vaidade.

Talvez vos tenha acontecido algumas vezes, diante de uma escultura, de um quadro, de certos versos de uma poesia ou de uma peça musical, sentir uma emoção íntima, uma sensação de alegria, ou seja, perceber claramente que diante de vós não havia apenas matéria, um pedaço de mármore ou de bronze, uma tela pintada, um conjunto de letras ou um cúmulo de sons, mas algo maior, algo que «fala», capaz de tocar o coração, de comunicar uma mensagem, de elevar a alma. Uma obra de arte é fruto da capacidade criativa do ser humano, que se interroga diante da realidade visível, procura descobrir o seu sentido profundo e comunicá-lo através da linguagem das formas, das cores, dos sons. A arte é capaz de exprimir e de tornar visível a necessidade que o homem tem de ir para além daquilo que se vê, pois manifesta a sede e a busca do infinito. Mais, é como uma porta aberta para o infinito, para uma beleza e uma verdade que vão mais além da vida quotidiana. E uma obra de arte pode abrir os olhos da mente e do coração, impelindo-nos rumo ao alto.

Mas há expressões artísticas que são verdadeiras estradas que levam a Deus, à Beleza suprema; mais, são uma ajuda para crescer na relação com Ele, na oração. Trata-se das obras que nascem da fé e que exprimem a fé. Podemos ter um exemplo quando visitamos uma catedral gótica: sentimo-nos arrebatados pelas linhas verticais que se perfilam rumo ao céu e atraem para o alto o nosso olhar e o nosso espírito enquanto, ao mesmo tempo, nos sentimos pequenos, antes, desejosos de plenitude… Ou então quando entramos numa igreja românica: somos convidados de modo espontâneo ao recolhimento e à oração. Apercebemo-nos de que, nestes edifícios esplêndidos, está como que encerrada a fé de gerações.

Também, quando ouvimos uma peça de música sacra que faz vibrar as cordas do nosso coração, a nossa alma é como que dilatada e ajudada a dirigir-se a Deus. Vem-me ao pensamento um concerto de músicas de Johann Sebastian Bach, em Munique da Baviera, dirigido por Leonard Bernstein. No final da última peça, uma das Cantatas, senti, não por raciocínio mas no profundo do coração, que aquilo que eu ouvira me tinha transmitido a verdade, a verdade do sumo compositor, impelindo-me a agradecer a Deus. Ao meu lado estava o bispo luterano de Munique e, espontaneamente, disse-lhe: «Ouvindo isto, compreende-se: é verdadeiro; é verdadeira a fé tão forte, e a beleza que exprime de maneira irresistível a presença da verdade de Deus».

Essa Igreja carrega toda história e beleza que a Igreja católica estruturou durante todo esse tempo, uma beleza de abrir os olhos.

O projeto arquitetônico foi elaborado pelo arquiteto Edgard Nascentes Coelho e aprovado em agosto de 1901. A obra foi gerida pelo irmão redentor holandês Gregório Mulders. A preparação do terreno começou no mesmo ano, e a pedra fundamental foi lançada no ano seguinte, 20 de abril de 1902. Apenas dois anos depois, parte da obra foi concluída e o ofício religioso no novo prédio foi iniciado. Entende-se que em 1905, todo o corpo principal da igreja estava concluído, e as paredes externas e torres ainda estavam em construção. Pintor alemão Gilchem Schumacher. De acordo com a análise preparada para o livro de inventário do templo,

Suas obras exuberantes lembram o Oriente, e a variedade de padrões decorativos é um aspecto muito comum no período eclético. Apesar da sobrecarga decorativa, apresenta boa qualidade técnica.

Apesar da sobrecarga ornamental, apresenta boa qualidade técnica. Mais do que em seu valor artístico, porém, sua importância reside no fato de constituir expressão de época, bastante original em sua composição.

A fachada principal adota uma estrutura simétrica, acessível pela escadaria frontal, e consiste basicamente em três planos e três torres, esta última se caracteriza pela diferença entre a Igreja de São José e as demais igrejas da Belorizontina. Destaca-se no plano central, mais avançado e mais alto que os demais planos, com portal composto por colunas e empenas triangulares, janelas duplas e rosáceas na altura do coro, relógio, sineira dupla com venezianas e um coroação alongada. No plano médio, as portas laterais também são compostas por pilares, vergas em arco e vergas de suporte. Na altura do coro, as janelas são reduzidas a uma de cada lado, com verga em arco rebaixado e verga em consola. No piso mais recuado, as janelas do rés-do-chão são iguais às do coro da planta média, com vergas em arco pleno, rosáceas e torre sineira vedada com venezianas. O coroamento é finalizado assim como na torre central, porém em menor altura. O sentido vertical é acentuado pelos cunhais finalizados em pináculos, torres alongadas terminadas em agulhas, e vãos alongados, enquanto as faixas pintadas e em relevo, a cornija e platibanda retomam a marcação horizontal.

Na nave principal, os pilares recebem figuras bíblicas, e a moldura do banner contém várias decorações – arabescos, gregos, estrelas, ramos, entrelaçamento, etc. Nas paredes laterais da nave e do altar, a história bíblica e a vida dos santos se espalham de forma sobreposta a listras horizontais, entremeadas por diferentes tipos de padrões figurativos e arabescos, com grande riqueza de cores. As grades laterais do altar apresentam interessantes padrões em forma de animais, representando os quatro elementos naturais água, ar, terra e fogo. Acima da barra, a imagem do apóstolo se destaca no padrão decorativo. De entre um conjunto de painéis figurativos, destacam-se os painéis da parede frontal do hall lateral, baptistério e altar, pelo seu desenho mais requintado..

No corpo principal da igreja, na parte superior, há 14 santos de um lado e 14 santos do outro, esta separação reflete os costumes da época de separação de homens e mulheres na igreja. Há oito pinturas que retratam a história de São José na beira do teto e duas pinturas na parte de trás da igreja que retratam José do Egito, vendidas por seus irmãos e reverenciadas em uma carruagem triunfal. No corredor lateral, os signos do zodíaco indicam que Deus é o governante do tempo e da história.

A matriz recebe cerca de 1.500 pessoas todos os dias e cerca de 5.000 pessoas nos finais de semana.

Em 20 de abril de 1902, a convite de Dom Silvério Gomes Pimenta, bispo de Mariana, foi lançada a primeira pedra para que os missionários da Sociedade Holandesa do Redentor iniciassem o trabalho pastoral na capital mais próxima. Havia 14.000 habitantes em 1900 e havia apenas uma paróquia.

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